Arquivo para Dezembro, 2006

uma invenção maluca dos irlandeses

Em julho fui assistir ao jogo do São Paulo contra o Estudiantes pela Libertadores plenamente convencido de que mataríamos a partida logo e não haveria muito sofrimento. O jogo de ida tinha sido lá, antes da Copa, e havíamos perdido por 1×0 com um gol no fim do segundo tempo, quase aos 45. Foi um mês inteiro esperando a volta e a chance da revanche. Nunca na minha vida eu sofri tanto com um jogo. O São Paulo demorou pra marcar, mas acabou devolvendo o resultado da Argentina, o que levou a disputa pra decisão por penaltys. Não desejo isso pra ninguém. Todos os jogadores marcaram, até a hora em que o Danilo foi cobrar. Desespero. O meia cobrou mal e perdeu. Mas aí o Rogério brilhou, defendeu a cobrança de Alayes e viu Camusca chutar pra fora. Estávamos classificados para a semi, na minha primeira e até hoje única decisão por penaltys num estádio. Mas poderia não ter sido assim.

Imagine a cena:

Inglaterra, 1891.

Jogo válido pela Copa da Inglaterra entre Notts County e Stoke City.
O Notts vencia por 1×0, quando numa jogada dentro da área o zagueiro Henry coloca a mão na bola e evita o gol de empate. O juiz aponta. È falta. Isso mesmo, falta. O Penalty não havia sido inventado, ainda. O goleiro do Notts se posta na frente da bola e defende.
Esse jogo foi o ponto chave pra mudança na regra. A idéia, acreditem, foi de um goleiro, o irlandês William McCrum, e a regra foi oficializada em 02 de Junho de 1891, em Glasgow, numa reunião da Internacional Board.
No início houve resistência, sobretudo por parte dos ingleses, com o argumento de que o jogo era disputado apenas por cavalheiros, e portanto não precisava de regras para punir jogadores desleais. Os jornais da época diziam se tratar de “uma invenção maluca dos irlandeses” e classificaram a regra como a “pena de morte para os goleiros”. Em algumas cobranças de penalty era normal os goleiros ficarem encostados na trave, sem fazer nenhum esforço para defender a cobrança. Acontece que os atacantes também protestavam e acabavam chutando a bola por cima do gol.
O penalty talvez seja o maior ponto de discussão que existe no futebol. Foi? Não foi? O goleiro se adiantou? A “paradinha” vale? Se não fosse pelo irlandês maluco, talvez o Baggio não tivesse um dia tão ruim na vida dele como teve naquele verão de 94, e o milésimo gol do Pelé talvez não fosse tão cheio de folclore como é até hoje. E o melhor de tudo é que o mundo inteiro parou para assistir.Afinal, quem não pára pra ver uma cobrança de penalty?

querido papai noel


Neste ano fui um rapaz bacana, não briguei no estádio e tampouco desejei mal para a família de qualquer jogador de outro time. Meus xingamentos foram controlados, nenhum deles provocou espanto ou causou mal estar entre os presentes. Aceitei as derrotas e reconheci o esforço dos jogadores, mesmo quando eles pareciam andar em campo.
Como o senhor pode ver, me comportei de forma exemplar, e nos meus pedidos serei bem simples e comedido. Nada de extravagâncias.
Prá começar, uma goleada na final do Paulista e a queda do Leão, só prá manter a tradição. O senhor sabe como isso é importante. Se não for pedir muito, uma Copa São Paulo poderia servir de aperitivo.
Bom, passado o regional, vem a conquista da América, com o tetra da Libertadores, mas que dessa vez seja contra algum clube argentino, de preferência o Boca. Daí até o Brasileirão é um pulo, e ganhar o campeonato nacional antes de golear o Chelsea na final do Mundial vai dar uma emoção a mais no fim do ano.
Ah, se o senhor quiser me dar a Sulamericana, eu também vou aceitar… e eu sei que você também ficaria bem feliz, afinal sua roupa te denuncia.
Então é isso, Senhor Noel.
Mas se o senhor quiser me surpreender mesmo, poderia convencer o Zidane a voltar a jogar e vim encerrar a carreira aqui no tricolor!!

febre de bola

Ao completar onze anos, Nick Hornby foi levado pela primeira vez, pelo pai, a um jogo de futebol. A paixão pelo time do Arsenal, imediata e avassaladora, logo se transformou em obsessão, e Hornby se transformou naquilo que nós, brasileiros, chamamos de “um torcedor doente”.
Escrito sob a forma de diário, de 1968 até os dias atuais, Febre de bola, seu livro de estréia, é uma empolgante e espirituosa crônica de devoção de Hornby pelo Arsenal Football Club – uma autobiografia penetrante, agridoce e muito engraçada, na qual a vida do autor é medida não em anos mas em campeonatos. Para Hornby os altos e baixos da sorte do time batem em compasso perfeito com os sucessos e fracassos de sua própria vida. O divórcio de seus pais, a chegada de uma madrasta exótica, o fim de um caso amoroso – tudo corresponde a certos eventos no estádio de Highbury.
Febre de bola é um sofisticado estudo sobre a obsessão, a família, a masculinidade, as diferenças de classe, a identidade, a passagem para a vida adulta, a lealdade, a depressão e a alegria. Revelando-se um verdadeiro craque, Nick Hornby desenrola sua prosa terna, que faz rir e emociona e explica, tanto para o amante de futebol quanto para o leigo, o que realmente significa ser um torcedor.
Esse texto aí em cima não fui eu que escrevi, é a “orelha” do livro, mas como eu não conseguiria escrever coisa melhor, e que definisse o livro de uma forma mais clara, resolvi transcrever aqui no blog. Na verdade ainda não acabei de ler, mas o que li gostei. Já o filme baseado nele…. não vi e não gostei. Parece que o roteiro foi adaptado pelo próprio Nick Hornby, mas como é um filme americano, em vez de futebol, o herói é apaixonado por beisebol. Os papéis principais são de Jimmy Fallon e Drew Barrymore, e o longa, aqui no Brasil, chama-se Amor em jogo. O filme foi dirigido e produzido pelos irmãos Farrelly, os mesmos de Quem vai ficar com Mary?. Teve gente que viu e gostou, como a crítica Angélica Brito, e se voce quiser saber a opinião dela, é só clicar: http://br.cinema.yahoo.com/filme/12247/critica/9078/amoremjogo. Mas se você é mesmo apaixonado por futebol, encha-se de preconceitos, assim como eu, e leia o livro…

melhores de 2006

O italiano Canavarro e a brasileira Marta foram considerados os melhores jogadores da temporada.
Não vi nenhum jogo da Marta, então não posso opinar, e sobre o Canavarro já dei minha opinião.
É uma pena o Zidane não ter ganho este prêmio.
Ele foi o melhor que eu vi jogar.

seleção tem novo camisa 10

Rogério Ceni, em jogo beneficente em Sinop.

o inter conquista o mundo

O Internacional conseguiu o que parecia impossível e bateu o brilhante time do Barcelona, conquistando pela primeira vez o Mundial Interclubes. Repete o feito de outras 4 equipes brasileiras, Santos, Flamengo, Grêmio e São Paulo, que conquistou o tricampeonato na edição do ano passado, e que ganhou o seu primeiro título em cima desse mesmo Barcelona.
O jogo foi truncado, com o Barça tentando explorar a sua melhor técnica e o Inter se defendendo e saindo para o contra ataque. O time catalão levava um pouco mais de perigo, mas não conseguiu repetir a boa atuação do primeiro jogo, e errava muitos passes. Os contra ataques do clube brasileiro não surtiam efeito, e a primeiro tempo acabou com pouquissímas chances reais de gol, mas com o Barça chegando mais perto.
No segundo tempo o Inter melhorou, criou algum perigo, mas as principais jogadas ainda eram do Barcelona. Mas ao 36 Iarley fez boa jogada e tocou para Adriano, que fez o gol do título. Na minha opinião, no começo da jogada, Iarley fez falta em Puyol, mas o juiz não marcou. O Barça partiu prá cima, e na melhor oportunidade que teve, Ronaldinho Gaúcho cobrou falta rente à trave. O jogo foi até os 47, quando finalmente o torcedor gaúcho pôde comemorar.
A decepção do campeonato foi o jovem atacante colorado Alexandre Pato, que pouco fez a parece ter sentido a pressão. Vem aí um novo Dodô.
Na decisão pelo terceiro lugar, o Al-Ahly derrotou o América do México por 2×1, conseguindo se redimir da fraca campanha do ano passado, quando ficou com a última colocação.

Parabéns ao Internacional, campeão mundial interclubes 206.

alguém, por favor, mate o galvão

Galvão nasceu na época e no país errado. Para o bem da história e da humanidade, deveria ser contemporâneo de Adolf Hittler e sua Alemanha nazista. Sim, porque nem Hittler aguentaria a xenofobia do locutor e acabaria desistindo da idéia do ariano superior.
O locutor rejeita qualquer jogador que seja estrangeiro e que não jogue em clubes nacionais, e passou o jogo inteiro pedindo respeito ao clube brasileiro, respeito esse que o Barça demonstrou a competição inteira, mas que os olhos cegos desse incompetente e, como meu irmão já havia dito, máu caráter, não foi capaz de enxergar. Galvão Bueno é má pessoa,e faltou a ele o respeito que tanto pediu. Sempre fez lobby para Ronaldo, enaltecendo jogadas normais e enxergando ali um jogador que nunca existiu, nem mesmo nos seus melhores momentos, como a Copa de 2002, a agora vive a perseguir Ronaldinho Gaúcho, que é muito melhor.
Mas em uma coisa o Galvão tem razão, o Deco não foi mesmo o melhor do torneio, prêmio que deveria ter sido dado ao melhor jogador do mundo nas últimas duas temporadas, e que provavelmente será coroado amanhã novamente. Deco, na minha opinião, foi o segundo melhor, seguido pelo francês Giully. É engraçado, quando o Deco joga bem e o seu time ganha, ele é o brasileiro naturalizado, já quando perde ele vira português. Coisa típica de quem emite opiniões com a intenção clara de distorcer e influenciar.

ressaca

Gosto desse período de ressaca que assola o futebol. Fora pra torcida do Inter, que sonha com a conquista do mundo, quem mais está ligando? Eu, é claro.
Acompanhar especulações de compras, viver a novela da saída ou não de determinado jogador e possíveis trocas de técnicos dão uma boa medida do que se pode esperar do seu clube pro ano que virá.
Será que o Nilmar vem? E o Dagoberto? O Caio Jr vai dar jeito no Palmeiras? E o Romário, volta pro Vasco pra tentar o milésimo gol? Tá vendo, por aí já dá pra se ter uma idéia. Enquanto alguns clubes perdem o sono por causa do Nilmar, e outros tentam trazer jovens jogadores e até mesmo técnicos promissores, numa tentativa de reforçar o elenco ou de tentar colocar ordem na casa, outros se preocupam apenas em agradar a uma parte da torcida, especulando sobre a volta de um antigo ídolo, que tudo o que quer na vida é alcançar o tal do milésimo gol e depois ir tomar a sua cervejinha.
A sensação que eu tenho nessas horas em que os jogadores param e aparecem os “empresários”, é a mesma de quando fico sabendo que alguma banda que eu gosto muito está pra lançar cd novo. Esses dias vi num site que o Radiohead está gravando, e que até já testou algumas músicas novas em shows. E lá vou eu no youtube, encontrar o show e tentar decifrar alguma coisa da música no meio de um milhão de gritos e aplausos. Não dá pra saber como a música é ou será, mas dá pra ter uma idéia. Uma contratação de um jogador desconhecido é isso, você pode pesquisar e até achar alguma coisa sobre ele, como um gol num clássico da segunda divisão do campeonato eslovaco, ou um precioso escanteio cobrado na cabeça do atacante, que faz o gol e comemora a vitória que livrou seu time do rebaixamento. São idéias, vultos do que ele realmente pode ou não fazer, de quem ele é e como joga. Mas isso nunca te dirá se ele vai funcionar no seu time ou não.
Não sei definir esse sentimento que me toma nessas épocas, mas não é só curiosidade, é muito mais que isso. É uma espécie de expectativa que vai te matando aos poucos. Os dias passam e você vai querendo saber mais, vem uma angustia, às vezes até uma espécie de tontura, que é até gostoso, prende a sua atenção, mas que eu duvido que seja saudável.
Uma contratação e algum indício do que pensam os idiotas que dirigem o seu time.Toda a sorte do ano passa a depender disso. É a felicidade e a chance do bom convívio social, sem maus humores e caras fechadas no domingo à noite, tudo isso nas mãos de quem compra e vende os seus jogadores. Não adianta fazer promessas nem pular as sete ondinhas. Simplesmente não depende de você.
Mas a gente não desiste, vai atrás, e só quando conseguir ouvir a música inteira esse sentimento se dissipa.

5º lugar

Acabou agora a partida que definiu os últimos lugares no Mundial. O Jeonbuk venceu por 3×0 e ficou com o 5º lugar, enquanto o Auckland amargou a lanterna. Não assisti ao jogo, apenas acompanhei pela internet, e me parece que o time coreano foi mesmo bem superior. O que serve como mais um indício de que a chave do Barça era realmente mais forte do que a do Inter.
Vale lembrar que a disputa pelo 3º lugar acontece no domingo, 5:20 h da manhã, como preliminar da finalíssima, no mesmo dia só que 8:20 h.

Dê seu palpite:

Al-Ahly x América ( 3º lugar)

Internacional x Barcelona ( Final )

prá botar medo

Bastante, aliás..
Será que alguém já trocou a fralda do Pato? Porque depois do jogo de hoje…
Consegui assistir a partida graças a minha mãe, que aceitou me receber em sua casa antes das 8:30 duma quarta feira. Mãe é mãe.
Bom, prá variar me atrasei, e quando cheguei lá já estava 1×0. Um golaço.
Daí prá frente foi assim, o Barcelona atacando, sem muito esforço, mas sempre com perigo, e o América, bem, o América fez o que pôde. Quase nada.
Deco e Ronaldinho comandavam o time catalão, mas o jogo não era só deles. Todo mundo jogou bem, inclusive o Valdez, que nas raras vezes em que foi exigido fez boas defesas.
Com o gol do Rafa Marques, a equipe mexicana jogou a toalha.
Não me atrevo a falar que o Barça já é campeão, mas vai ser muito difícil pro Inter conseguir ganhar esse título.
O Barcelona fez o seu papel, entrou na competição do jeito que todo mundo esperava. Deu show. Pode-se dizer que o adversário não era dos mais difíceis, mas quando divulgaram a tabela, muita gente comemorou, afinal, quem teria que enfrentar os mexicanos eram os espanhóis. Ao Inter bastava vencer o fraco adversário que sairia das quartas e esperar a final.
Ouvi muita gente falando que ano passado a história foi parecida, que o São Paulo teve que suar prá passar pela semi e o Liverpool deu show, vencendo o Saprissa por 3×0, e que na final o clube paulista se encontrou e acabou ganhando o campeonato.
Tudo bem, jogo é jogo e ninguém ganha de véspera, mas não dá prá comparar as duas situações. Primeiro porque aquele São Paulo era mais time que este Internacional, com jogadores mais rodados e que não sentiram tanto a pressão. E também porque o Liverpool não tinha o Ronaldinho.
Não acredito em jogo fácil não, acho que vai ser uma boa partida, e pode até ser que o Inter vença e se torne campeão mundial pela primeira vez. Mas que o Barcelona é muito mais time, disso ninguém pode discordar.

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